
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem se reunir presencialmente em março, em Washington, para discutir uma pauta centrada em interesses estratégicos dos dois países e na conjuntura da América Latina. A data ainda não foi oficialmente definida, mas os preparativos já estão em andamento nas diplomacias brasileira e norte-americana.
De acordo com interlocutores do governo brasileiro, três temas devem ocupar o centro das conversas: o fortalecimento do combate ao crime organizado transnacional, o avanço das negociações comerciais envolvendo produtos brasileiros ainda impactados por tarifas e a situação política e de segurança na América Latina.
A expectativa do Palácio do Planalto é que o encontro ajude a consolidar e organizar a relação bilateral, considerada relevante tanto no campo econômico quanto no diplomático. Os assuntos já haviam sido abordados na conversa telefônica mantida pelos dois presidentes na última semana, que durou cerca de uma hora.
Segundo nota divulgada pela Presidência da República, Lula e Trump trataram da agenda global, celebraram a reaproximação entre os países e destacaram os avanços obtidos com a retirada parcial de tarifas impostas a produtos brasileiros nos últimos meses. A tendência é que ministros e representantes de áreas estratégicas, como Relações Exteriores, Justiça, Fazenda, Desenvolvimento e Polícia Federal, integrem a comitiva brasileira.
No campo da segurança, o governo brasileiro voltou a defender a ampliação da cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado. A proposta inclui ações conjuntas contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos financeiros de organizações criminosas e troca de informações sobre transações suspeitas. A iniciativa, apresentada formalmente em dezembro de 2025, foi avaliada de forma positiva pela Casa Branca.
A situação da América Latina também deve ganhar destaque, especialmente após os recentes acontecimentos na Venezuela. Lula tem adotado uma postura crítica em relação à ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. O governo brasileiro defende a preservação da soberania dos países e a busca por soluções diplomáticas que priorizem a estabilidade regional e o bem-estar da população venezuelana.
O episódio provocou repercussão internacional e abriu um novo capítulo de tensão no continente, tornando o tema inevitável na agenda entre os dois líderes. Apesar das divergências, a avaliação do Planalto é que o diálogo direto com Trump será essencial para evitar desgastes maiores e manter canais institucionais abertos.
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