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Casos de febre do Oropouche podem ser muito maiores do que os registrados no Brasil, aponta estudo

Pesquisa indica subnotificação significativa e alerta para expansão da doença pelo país

24/03/2026 às 10h58
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
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Casos de febre do Oropouche podem ser muito maiores do que os registrados no Brasil, aponta estudo

Um estudo recente revela que os casos de febre do Oropouche no Brasil podem estar amplamente subnotificados, atingindo um número muito superior ao oficialmente registrado. De acordo com os dados, a incidência real da doença pode ser até 200 vezes maior do que os casos notificados, alcançando cerca de 2% da população brasileira.

A Febre do Oropouche é transmitida principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora, especialmente nas regiões Norte do país.

O levantamento foi realizado por pesquisadores de instituições como a Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e a University of Kentucky, em parceria com centros de pesquisa da região amazônica. O estudo analisou dados sorológicos coletados entre 2023 e 2024, permitindo identificar a real dimensão da circulação do vírus.

Segundo os especialistas, entre 1960 e 2025, a doença já infectou cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e Caribe, sendo mais da metade desses casos registrados no Brasil. Apenas na última década, mais de 30 mil casos foram oficialmente contabilizados, número considerado abaixo da realidade.

Os pesquisadores destacam que a subnotificação ocorre, em grande parte, devido ao difícil acesso a serviços de saúde em áreas remotas e ao fato de muitos casos apresentarem sintomas leves ou até mesmo assintomáticos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras arboviroses, como dengue, o que dificulta o diagnóstico correto.

Outro ponto de atenção é a expansão da doença para áreas urbanas. Antes restrita a ambientes silvestres, a febre do Oropouche tem apresentado novos padrões de disseminação, especialmente em cidades com grande fluxo populacional, como Manaus, considerada um importante polo de propagação.

Embora a maioria dos casos seja leve, a infecção pode evoluir para quadros mais graves, incluindo complicações neurológicas, problemas materno-fetais e até óbitos. Atualmente, não há vacina ou tratamento antiviral específico disponível, o que reforça a necessidade de vigilância epidemiológica e medidas preventivas.

Os especialistas alertam que, sem estratégias eficazes de controle e monitoramento, novos surtos devem continuar ocorrendo, principalmente em regiões com presença do vetor e áreas de contato com ambientes florestais.

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