
Um estudo recente revela que os casos de febre do Oropouche no Brasil podem estar amplamente subnotificados, atingindo um número muito superior ao oficialmente registrado. De acordo com os dados, a incidência real da doença pode ser até 200 vezes maior do que os casos notificados, alcançando cerca de 2% da população brasileira.
A Febre do Oropouche é transmitida principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora, especialmente nas regiões Norte do país.
O levantamento foi realizado por pesquisadores de instituições como a Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e a University of Kentucky, em parceria com centros de pesquisa da região amazônica. O estudo analisou dados sorológicos coletados entre 2023 e 2024, permitindo identificar a real dimensão da circulação do vírus.
Segundo os especialistas, entre 1960 e 2025, a doença já infectou cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e Caribe, sendo mais da metade desses casos registrados no Brasil. Apenas na última década, mais de 30 mil casos foram oficialmente contabilizados, número considerado abaixo da realidade.
Os pesquisadores destacam que a subnotificação ocorre, em grande parte, devido ao difícil acesso a serviços de saúde em áreas remotas e ao fato de muitos casos apresentarem sintomas leves ou até mesmo assintomáticos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras arboviroses, como dengue, o que dificulta o diagnóstico correto.
Outro ponto de atenção é a expansão da doença para áreas urbanas. Antes restrita a ambientes silvestres, a febre do Oropouche tem apresentado novos padrões de disseminação, especialmente em cidades com grande fluxo populacional, como Manaus, considerada um importante polo de propagação.
Embora a maioria dos casos seja leve, a infecção pode evoluir para quadros mais graves, incluindo complicações neurológicas, problemas materno-fetais e até óbitos. Atualmente, não há vacina ou tratamento antiviral específico disponível, o que reforça a necessidade de vigilância epidemiológica e medidas preventivas.
Os especialistas alertam que, sem estratégias eficazes de controle e monitoramento, novos surtos devem continuar ocorrendo, principalmente em regiões com presença do vetor e áreas de contato com ambientes florestais.
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