
Um vídeo gravado por câmeras de segurança no elevador de um prédio em Natal (RN) chocou o Brasil ao mostrar Juliana Garcia sendo agredida com 61 socos desferidos pelo namorado, Igor Cabral, no último sábado (26). O episódio, que ganhou repercussão nacional, reflete o preocupante avanço da violência contra mulheres no país, especialmente dentro do ambiente doméstico.
Segundo especialistas, a violência dirigida ao rosto, seios e ventre das vítimas carrega um forte simbolismo ligado à cultura machista, representando um ato de posse e dominação. A promotora de Justiça Valéria Scarance, do Ministério Público de São Paulo, destaca que agressores buscam marcar o corpo feminino para demonstrar poder e controle.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os feminicídios atingiram 1.492 casos em 2024, o maior número desde 2015, o que equivale a quatro mulheres mortas por dia, sendo a maioria negras e vítimas de parceiros ou ex-parceiros. Tentativas de feminicídio também cresceram 19% em relação ao ano anterior, e as agressões a mulheres continuam em números elevados.
Apesar das leis rigorosas, como a Maria da Penha, a escalada da violência é atribuída a uma reação estrutural machista ao empoderamento feminino, com discursos antifeministas em ascensão. Pesquisadoras e especialistas reforçam a necessidade urgente de políticas públicas que promovam mudanças culturais e educacionais para combater o ciclo da violência.
As autoridades recomendam que vítimas e testemunhas denunciem abusos por meio do Ligue 180, canal gratuito e disponível 24 horas para acolhimento e encaminhamento de denúncias. Em casos de emergência, o número da Polícia Militar é 190.
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