
A febre Oropouche, anteriormente restrita à Região Amazônica, se espalhou pelo Brasil e preocupa autoridades de saúde. Em 2025, já foram registrados 11.805 casos da doença em 18 estados e no Distrito Federal. O Espírito Santo lidera com mais de 6 mil infecções e uma das cinco mortes confirmadas até agora. Outras duas mortes estão sob investigação.
Transmitida pelo mosquito maruim (Culicoides paraensis), a doença apresenta sintomas semelhantes aos da dengue e chikungunya, como febre, dor de cabeça e nas articulações. Há relatos de complicações graves, inclusive em gestantes, com registros de microcefalia e óbitos fetais.
De acordo com o Instituto Oswaldo Cruz, o surto atual é causado por uma nova linhagem viral associada ao desmatamento e a eventos climáticos extremos, como o El Niño. O vírus encontrou condições ideais de propagação em áreas periurbanas e agrícolas, sobretudo durante colheitas que atraem trabalhadores de outras regiões.
O Ministério da Saúde intensificou a vigilância epidemiológica e realiza estudos em parceria com a Fiocruz e a Embrapa para identificar inseticidas eficazes no controle do vetor. As recomendações incluem o uso de roupas longas, telas de proteção e a eliminação de matéria orgânica em decomposição — ambiente ideal para reprodução do maruim.
No Ceará, que já contabiliza 674 casos, a doença saiu de áreas rurais e chegou às cidades, como Baturité. O estado registrou ainda um óbito fetal causado pela infecção. A orientação é reforçar o manejo clínico e o treinamento de agentes de saúde para identificar e diferenciar a Oropouche de outras arboviroses.
Com a previsão de que os casos em 2025 superem os mais de 13 mil registrados em 2024, o país enfrenta um desafio sanitário crescente e urgente.
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