
BAHIA – A produção de algodão na Bahia passa por uma transformação que envolve tecnologia, genética, mecanização, qualificação profissional e novas exigências do mercado.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados pelo g1, a Bahia produziu 1,83 milhão de toneladas de algodão em 2025, equivalente a 18,5% da produção nacional.
Com esse resultado, o estado se mantém como o segundo maior produtor de algodão do Brasil.
A produção estadual cresceu 23,2% em um ano. O avanço também aumentou o peso econômico da cultura: em 2025, o algodão alcançou R$ 7,85 bilhões em valor de produção, passando a ocupar a segunda posição entre os produtos agrícolas de maior valor no estado, atrás apenas da soja.
Tecnologia no campo
A transformação tecnológica ocorre em diferentes etapas da produção.
Drones, sensores, imagens de satélite, GPS, estações meteorológicas, softwares e mapas de produtividade permitem que produtores tenham acesso a informações mais detalhadas sobre as lavouras.
Com esses dados, é possível identificar diferenças dentro de uma mesma área, como problemas relacionados ao solo, pragas, doenças ou desenvolvimento das plantas.
A chamada agricultura de precisão permite que determinadas decisões sejam tomadas de forma mais específica, levando em consideração as características de cada área.
As máquinas agrícolas também passaram a funcionar como plataformas de coleta de dados, permitindo acompanhar informações de produção e desempenho durante as operações.
Genética e qualidade
A inovação começa antes mesmo da semente chegar ao solo.
Novas cultivares são desenvolvidas buscando características como maior produtividade, estabilidade, resistência ou tolerância a doenças e pragas, adaptação às condições climáticas e qualidade da fibra.
Na região Oeste da Bahia, onde a cotonicultura possui forte presença, pesquisadores também trabalham para desenvolver variedades adaptadas às características ambientais e aos desafios encontrados nas lavouras.
Rastreabilidade
A tecnologia também acompanha o algodão depois da colheita.
A rastreabilidade permite relacionar o produto às informações sobre sua origem, qualidade e condições de produção.
Certificações e sistemas de identificação, incluindo QR Codes presentes nos fardos, ajudam a fornecer informações ao longo da cadeia produtiva.
Essa mudança atende a um mercado que, além da qualidade da fibra, passou a exigir cada vez mais informações relacionadas à sustentabilidade e às condições sociais e ambientais da produção.
Produção recorde
Para a safra 2025/26, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) estima uma produção superior a 1 milhão de toneladas, que poderá representar o maior resultado já registrado no estado.
Até 15 de setembro, aproximadamente 80% da colheita já havia sido concluída, segundo dados apresentados pela entidade ao g1.
A área cultivada foi estimada em cerca de 417,9 mil hectares, com produtividade aproximada de 2.360 quilos de pluma por hectare.
Mercado internacional
A produção baiana também está diretamente ligada ao mercado internacional. Os preços do algodão sofrem influência de fatores como produção mundial, estoques, consumo, exportações, condições climáticas e movimentações do mercado financeiro.
Por isso, o desempenho da cotonicultura não depende apenas das condições encontradas dentro das propriedades rurais.
Outro desafio é a logística para escoamento da produção. A Abapa defende a ampliação da utilização do Porto de Salvador para o transporte do algodão produzido na Bahia, buscando reduzir a dependência de rotas mais longas para outros terminais.
A transformação tecnológica, portanto, envolve toda a cadeia: começa na pesquisa genética, passa pelo campo e pelas máquinas, chega à rastreabilidade e termina no mercado consumidor.
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