
O jornalista Marcelo Castro, denunciado por participação em um esquema que desviou mais de R$ 400 mil em doações feitas por telespectadores da Record Bahia, voltou aos holofotes nesta semana após receber uma moeda institucional da Polícia Civil da Bahia (PC-BA). O gesto, realizado durante uma visita oficial do delegado-geral André Viana ao programa Alô, Juca, na TV Aratu, onde Castro atualmente trabalha, gerou indignação nas redes sociais.
Segundo a PC-BA, a entrega da moeda foi uma “lembrança” oferecida a todos os representantes de veículos de comunicação visitados pela corporação, tratando-se de um ato protocolar e pontual. No entanto, a concessão da honraria a um investigado por crimes como apropriação indébita, lavagem de dinheiro e associação criminosa levantou questionamentos sobre o critério e a oportunidade da ação.
A reação do público foi imediata. Comentários críticos viralizaram nas redes. “O cara sendo investigado… Se é inocente ou culpado eu não sei, mas recebe uma moeda da Polícia. Só na Bahia mesmo”, disse um internauta. “Só na Bahia um cidadão investigado por desviar doações recebe homenagem”, protestou outro.
Marcelo Castro e o também jornalista Jamerson Oliveira foram apontados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) como líderes de um esquema fraudulento que utilizava reportagens com pessoas em situação de vulnerabilidade para pedir doações em dinheiro, via PIX, durante transmissões ao vivo. As chaves exibidas na tela não pertenciam às vítimas, mas sim a integrantes do grupo criminoso.
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) revelam que o grupo desviou R$ 407.143,78 de um total de R$ 543 mil arrecadados. Apenas 25% do valor foi, de fato, repassado às vítimas.
O caso veio à tona em 2023, após a denúncia de um jogador de futebol que desconfiou da titularidade de uma conta exibida no programa. A TV Record Bahia apurou internamente a acusação, confirmou os indícios, demitiu os envolvidos e notificou a polícia.
Atualmente, o processo tramita sob sigilo na Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa em Salvador. A defesa dos jornalistas nega as acusações e afirma que as provas ainda não foram submetidas ao contraditório legal.
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